Já pensaram como seria se tivéssemos o poder da comunicação?

Que bobagem a minha, esse poder já existe há anos. Apesar de que, ninguém liga muito pra ele, mesmo ele sendo incrivelmente poderoso, as pessoas ainda assim, muitas vezes, fingem que ele não existe. Ele tem que ser utilizado de maneira correta, é verdade, caso contrário pode ser destruidor.

Há quem diga, por exemplo, que esse poder não pode ser usado no sexo. Afinal de contas, sexo todo mundo sabe fazer – tipo bicho, eles sabem e fazem! É, pensando estritamente na reprodução, realmente não é necessário o uso de tal poder. Mas a gente não é bicho, certo? Ah, e também não fazemos sexo apenas para reprodução. Fazemos sexo por prazer, né?

Pensando que a relação sexual precisa de no mínimo duas pessoas e que, portanto, duas pessoas querem sentir e proporcionar prazer, como não utilizar esse poder? Primeiramente, sexo só se for consensual! E o que isso quer dizer? As duas pessoas envolvidas têm que querer! Como vamos saber? Comunicação: verbal ou não verbal! Perfeito. Vamos para o segundo passo.

No sexo vale tudo? Não sei. Perguntou pra sua parceria o que vale? Mas aí não tem graça! Tem sim, lembre-se: a graça e o prazer são dos dois, se for só de um, não faz sentido. Preste atenção no que é comunicado com a voz e com o corpo. Se foi tirada a sua mão dali, por que você está colocando outra vez? Mas é assim que aprendi a fazer! Com quem? Cada pessoa é uma e por isso é preciso entender o que aquela pessoa gosta e como aquela pessoa deseja ser tocada. Assim como é importante falar sobre o que você gosta e o que não gosta também.

Foi bom pra você? Acho que sim, mas minha parceria tem me evitado. Foi bom pra ela/ele? Não sei, mas ela/ele disse que está com falta de desejo! Como ter desejo novamente por algo que não foi bom? Mas o que eu fiz de errado? Não sei! Ela/ele não me ama mais! Você está querendo dizer que pra provar que te ama tem que fazer sexo, mesmo se sua parceria estiver fazendo um sexo que não traga prazer? Hum…!

Toma aqui o poder da comunicação, não tem nenhuma restrição, pode usar à vontade!

Tomei! Foi um desastre! Ela/ele disse que eu deveria saber o que ela/ele gosta. Ah é, tinha medo que isso acontecesse! Já sei, diga que você só pode adivinhar depois de muito ela/ele falar. Quanto mais se comunicar, mais consegue adivinhar.

E foi assim que eles conversaram:

Se eu te pergunto algo, não preciso adivinhar. E por favor, não fique ofendido(a), eu não tenho obrigação de saber. Se pergunto é porque me importo com você. Mas parece que cada vez que pergunto, você me diz que eu deveria saber. É que já nos conhecemos há tanto tempo, como ainda não sabe? Você nunca me disse, mas a culpa não é só sua…eu nunca perguntei.

 

Autora: Janaína Sampaio, psicóloga e psicoterapeuta sexual.

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