Amo, logo desejo! Hum… mas amo e não tenho vontade de fazer sexo. E o que você está fazendo em relação a isso? Senta e espera o desejo vir? Acha que então não ama mais?

Ah, como seria bom se o desejo fosse algo tão natural quanto as pessoas pensam, e mais, se ele estivesse diretamente ligado ao amor. Se já ama, não precisa fazer mais nada, o desejo vem! É, um dia ele veio, mas o começo do namoro já acabou. E se não tem desejo, então não faz sexo, certo? Faço sim, tem que “comparecer”, né?! É uma excelente ideia. Fazer sexo sem vontade… quem sabe o desejo aumenta!

O ser humano é mesmo um ser insistente. Mas aqui, não digo isso no bom sentido! Insistir em fazer sexo sem vontade é como ir a um mercado na terça-feira que só abre aos finais de semana. É tentar entrar numa rua que está interditada, sendo que existem outros caminhos! Assim como você precisa pesquisar sobre o dia que o mercado abre e saber rotas alternativas para poder dirigir, é preciso aprender meios de sentir desejo. E ele não cai do céu, dá trabalho. Uma vez aprendido, não pense que seu trabalho acabou por aí! Tudo se transforma, os contextos mudam, você muda e o desejo não permanece o mesmo.

Ao considerar que o desejo tem vontade própria, você se exime de qualquer responsabilidade sobre ele, o que não facilita a “aparição” do mesmo, mas funciona como uma boa “justificativa” para a parceria do porquê não rolou sexo. Parceria essa que, assim como você, aguarda impacientemente pelo desejo que, hoje, não veio. A que horas ele chega? O casal se pergunta. E logo dormem à espera de condições climáticas e astrais mais favoráveis para o surgimento do “cometa” desejo!

E quando ele passa, que alegria!!! Os casais ficam a postos, já posicionados para não perder a grande oportunidade. E é tudo tão rápido que nem se quer aproveitam o momento, mas pelo menos cumpriram a missão de fazer sexo.

E como faz para o meu desejo voltar? …ele não volta! Ele nem mesmo foi embora… não é sempre o mesmo e nem tem que ser. Ele também não habita em você!  É preciso criar condições, pensar em sexo, movimentar-se, vivenciar a sexualidade. Diariamente preenchemos nossa cabeça com trabalho e preocupações que são inversamente proporcionais a sentir desejo. Mas ó, faz o seguinte: já que muitas vezes não dá pra se livrar dessas coisas, guarda um “cantinho” para pensar em você e na sua sexualidade! Não espere, faça acontecer!

 

Autora: Janaína Sampaio, Psicóloga e Psicoterapeuta Sexual

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